Not a member? You should join Listal here. Existing members Login here 

Reviews by Leonardo Knox

All reviews - Movies (25) - Music (8)

Família e reabilitação

Posted : 7 months, 2 weeks ago on 13 April 2009 04:53 (A review of Rachel Getting Married)

Existem filmes que já nos primeiros momentos, mostram que não são só puro entretenimento. "O Casamento de Rachel" cabe muito bem nisto. Ao contrário de 'Watchmen', o filme é pura surpresa. Nada que acontece nele dá para prever. O longa retrata a visita de Kym (Anne Hathaway), vinda da reabilitação, à sua casa para o casamento de sua irmã Rachel (Rosemarie DeWitt). E em meio aos preparativos do casamento, os conflitos daquela família emergem.

Particulamente, gosto demasiadamente de filmes sobre o relacionamento humano. Talvez seja por isso que "O Declínio do Império Americano" e seu seguinte "As Invasões Bárbaras" sejam filmes inesquecíveis pra mim. Nós humanos somos seres extremamente peculiares por mais que alguns ainda não tenham notado. E no meio de tantos filmes sobre relacionamentos, "O Casamento de Rachel" se destaca pela sua forma de narrativa nua.

As atuações são de completa importância para o filme, pois conseguem passar a veracidade necessária a fim de emocionar e, por vez, chocar o espectador. O que funcionou muito bem comigo. Com um justa indicação ao Oscar de Melhor Atriz, Anne Hathaway faz a melhor atuação que já vi da atriz. Em seus momentos dramáticos, conduz muito bem as cenas e prova que mereceu a indicação. Outra maravilhora interpretação é a de Rosemarie DeWitt, que faz com competência e delicadeza a irmã de Kym, a noiva Rachel. Além de ser muitíssimo linda.

O roteiro é, lógico, a base para o desenrolar da história. Mas neste filme, ele é o palco para todas a peripécias, brincadeiras, piadas, encontros e conflitos que aparecem na fita. A direção soube muito bem mexer com os sentimentos dos personagens que, às vezes, acabam refletindo em quem está do outro lado da tela. A fotografia inquieta, por vezes, promove pequenos e lindos planos-sequência, e é o aspecto técnico que mais me atraiu.

Depois de ter adorado o resultado final e, incrivelmente, ter me emocionado, a única coisa que me resta escrever é: se você quer ver "O Casamento de Rachel" para puro e simples divertimento, não veja.

0 comments, Reply to this entry

A escolha certa

Posted : 8 months, 3 weeks ago on 9 March 2009 08:05 (A review of Slumdog Millionaire)

Mesmo com todo esse furor em volta de 'Quem Quer Ser Um Milionário?', eu não estava botando muita fé nele. Talvez seja pelo pôster do longa que, convenhamos, não é tão atraente. Na verdade, estava mais a fim de ver 'Watchmen'. E tive uma grata surpresa. 'Quem Quer Ser Um Milionário?' é um filme inesquecível, apaixonante.

Com tudo muito bem calculado, o filme de Danny Boyle se dispõe a contar a trajetória de vida de Jamal, um garoto pobre e sem acesso a maiores informações que acaba participando de um programa televisivo de perguntas e respostas e está prestes a ganhar 20 milhões de rúpias. Como um garoto favelado consegue tal feito? O filme se resume em explicar como ele conseguiu tal façanha.

Durante os primeiros minutos, várias cenas me lembraram muito 'Cidade de Deus', de Fernando Meirelles. O modo em que a fotografia esperta capta os passos corridos dos moradores da favela e suas tarefas corriqueiras é surpreendentemente parecido com o nosso clássico brasileiro. No entanto, ao decorrer da obra percebe-se o quanto original e perspicaz o filme consegue mostrar que é.

'Quem Quer Ser Um Milionário?' é um dos filmes mais originais desta nova safra de longas-metragem que extreiam nos cinemas. Isso por causa do roteiro inteligente e dinâmico que, não por acaso, é o que mais impressiona e prende quem assiste. Outro aspecto que contribui para compôr a qualidade indiscutível de 'Quem Quer Ser Um Milionário?' é a montagem. Montagem esta que costura com eficiência a narrativa quebrada do longa. Isso faz do óbvil uma coisa nova.

Mesmo você sabendo como vai terminar a história, você fica apreenssivo com toda a situação ocorrente, que aumenta ainda mais com a trilha sonora tensa. Sobre a trilha sonora, não há do que reclamar. Músicas animadas e densas no melhor estilo indiano, tem M.I.A. com sua ótima canção "Paper Planes" muito bem usada no longa. Sem falar da cena de dança ao som de "Jai Ho" nos créditos finais.

Com um pouco de ação, comédia e muito romance, 'Quem Quer Ser Um Milionário?' não desagrada nem um pouco. Ao contrário, ao término do filme a sensação de felicidade e de pura satisfação abraça o espectador que, sem dúvida alguma, não vai esquecer por muito tempo do que sentiu quando viu 'Quem Quer Ser Um Milionário?'.

3 comments, Reply to this entry

Nunca pare de gravar

Posted : 8 months, 3 weeks ago on 8 March 2009 06:02 (A review of [REC])

Desde seu lançamento esperava ansioso para ver '[REC]'. Filme espanhol de terror que aterrorizou várias salas de cinema no mundo inteiro, dirigido por Jaume Balagueró e Paco Plaza. '[REC]' é um ótimo filme de terror, no mesmo estilo do clássico 'A Bruxa de Blair', ou seja, uma situação superverossímil gravada de forma "amadora".

A trama desenrola-sa a partir de uma matéria para um programa de TV. Ángela Vidal, repórter, e Pablo, operador de câmera, vão passar a noite em um Corpo de Bombeiros a fim de gravar a rotina de trabalhos deles. Porém o que aparentemente seria uma saída noturna rotineira de resgate logo se transforma em um grande pesadelo. Presos em um edifício, a equipe de filmagens e os bombeiros enfrentam uma situação desconhecida e letal.

O longa já no começo surpreende pela sua verossimilhança quando os dois filmam e conversam com as pessoas que trabalham no Corpo de Bombeiros e parece realmente que tudo ali mostrado é de verdade. Balagueró e Plaza tiveram grandes sacadas para mostrar o mais real possível em sua cenas. Manuela Velazco que encena Ángela dá uma aula de interpretação já que em nenhum momento a atriz mostra uma personagem caricata e exagerada, o que de fato é corriqueiro em filmes de terror.

Melhor que em 'A Bruxa de Blair', a fotografia que fica por conta do intérprete de Pablo (Pablo Rosso) é bem esclarecedora. Nada foge da lente da câmera de Pablo e ainda consegue passar todo o medo para os espectadores. E medo é o que eu realmente espero sentir quanto assisto a um filme de terror. O que significa missão cumprida.

Como um fã de filmes de terror e assíduo consumidor do gênero, posso afirmar que '[REC]' é o melhor filme no estilo 'câmera na mão' e um dos melhores filmes de horror de 2008. Se você não gostou de '[REC]', você não gosta de filmes de terror, não gosta de sentir medo e não teve sensibilidade para ver que no seu segmento, '[REC]' é único.

5 comments, Reply to this entry

Vários caminhos para um destino

Posted : 8 months, 3 weeks ago on 6 March 2009 06:14 (A review of 21 Grams)

Até que ponto as histórias de pessoas desconhecidas podem se esbarrar numa dessas esquinas da vida? "21 Gramas" discute isso. E não é tão simples assim. O filme requer total atenção para compreendê-lo. Atenção esta que nunca será tão bem usada. Minha atenção se rendeu à "21 Gramas" e, ao final, não se arrependeu. Segundo filme de uma trilogia criada pelo diretor Alejandro González Iñárritu, "21 Gramas" surpreende da sua primeira cena até a última.

O ponto mais alto e louvável da trama é seu roteiro seguro, complicado e intrigante. É incrível como esta técnica de narrativa quebrada funciona tão bem a todo instante no longa. Cada cena é única e os diálogos bem articulados compõe uma atmosfera tensa que porta-se sempre. O que mais me impressionou no roteiro é sua forma de fugir do convencional. As cenas não vêm com uma explicação do que aconteceu por último. Tudo é colocado de forma aleatória, o que contribui para tornar as interpretações mais densas e chocantes.

Outro aspecto que compõe esta obra espetacular são as atuações. O maior destaque neste campo é a estarrecedora interpretação de Naomi Watts. Linda e superenvolvente, Naomi atua como nunca vi e me faz brilhar os olhos. Desde "King Kong", "O Chamado" e "Tentação" já reparo no seu talento e sua beleza excitante. Não se pode esquecer de Sean Penn que já é um dos melhores atores do cinema atual e todo mundo sabe. Sem contar Benicio del Toro que me surpreendeu muito e me abriu os olhos para seu talento.

Com uma fotografia fodona de tão tensa, "21 Gramas" se mostra um longa incrível que, por vezes, até choca. Quando os créditos finais subiram, ainda fiquei parado computando todas informações e sensações que a fita me passou. Desde "Desejo e Reparação" eu não sinto isso. Tô até com vontade de ver o filme outra vez.

0 comments, Reply to this entry

Na dúvida, hesite

Posted : 9 months ago on 25 February 2009 03:37 (A review of Doubt)

Com certeza absoluta, não há nome melhor para este filme, adptado de uma premiada peça de mesmo nome. O filme se passa em meados de 1960's, numa escola de freiras onde uma rígida freira, que é também a diretora da escola, inicia uma cruzada contra o padre local, devido à suspeita de que esteja dando atenção demasiada a um aluno. Com um elenco memorável, "Dúvida" se baseia nisto.

Com uma atmosfera sombria, "Dúvida" começa na missa, com o padre dando seu sermão. Interpretado com maestria por Philip Seymour Hoffman, padre Brendan Flynn é o centro das atenções por seu suspeita. E interpretações boas sobram em "Dúvida". Além de Philip Seymour, Meryl Streep e Amy Adams fazem bonito quando aparecem. Sem contar Viola Davis que aparece pouco no filme, mas surpreende muitíssimo. Sua atuação só colaborou.

Streep é, sem dúvida, a melhor atuação presente. Mas como todos já conhecem seu talento incontestável, quem impressiona mais é Amy Adams. Saída do belo "Encantada", agora como Irmã James, Amy mostra que mereceu com exaltação sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. No caso de Streep, indicada pela Academia por Melhor Atriz, também não faz feio. Sua Irmã Aloysius Beauvier transborda medo aos alunos da escola, às Irmãs e a quem assiste também.

Um roteiro belíssimo, uma fotografia linda, um elenco de primeira e diálogos bem trablhados. "Dúvida" se mostra como um dos melhores filmes deste começo de ano. Botando na balança, percebo que "O Leitor", mesmo sendo um belíssimo longa, não deveria ser indicado ao Oscar de Melhor Filme, dando lugar assim para "Dúvida".

0 comments, Reply to this entry

Feliz mundo de merda

Posted : 9 months, 1 week ago on 18 February 2009 05:58 (A review of Feliz Natal)

Selton Mello é um dos melhores atores do cinema brasileiro. Sempre em boas performances nos filmes em que atuou, como o árido "Auto da Compadecida", o lindo "Lisbella e o Prisioneiro" e o impagável "O Cheiro do Ralo". Agora, depois de tantos trabalhos memoráveis como ator, Selton decide enveredar-se por trás das câmeras. E entrega seu primeiro filme, como diretor, "Feliz Natal" como um filme de um natal nada feliz.

Logo de cara, as primeiras cenas mostram a profundidade emocional com que o filme decide contar a história. Também de cara, nota-se a eficaz fotografia e a soturna trilha sonora. "Feliz Natal" mostra o natal de Caio (Leonardo Medeiros) que, há tempos longe de casa, vai passar a data com a família. Lá a história fica intensa. Suas memórias acordam e seus parentes expurgam todo o ódio que lhe tem.

O debut do diretor Selton Mello aborda com clareza o consumismo desenfreado e estúpido que permeia nossa sociedade e a molda, incluindo uns e excluindo vários. Este é o maior trunfo de "Feliz Natal", que ainda arruma tempo para mostrar como esse consumisco recai sobre as famílias. E não há data melhor que esta para falar disto: o Natal.

Dando rosto aos personagens, as atuações são de um modo geral satisfatórias. Em destaque, Darlene Glória como Mércia, mãe de Caio, está inacreditável. Sua performance chega a assustar a quem assiste de tão real e intensa que é sua atuação. Graziela Moretto, sempre linda e competente, está em seu lugar como Fabi, cunhada de Caio.

Com uma linguagem de imagem & som, a fita, em seus últimos momentos, acaba por enrolar e entregar um final sem muito ânimo. Contudo, o que faz de "Feliz Natal" um obra admirável e capaz de escapar de uma nota 7 é seu roteiro criativo e sua direção firme. Contraditoriamente, "Feliz Natal" é um longa que eu nunca indicaria para se ver no Natal. É melhor alugar "Esqueceram de Mim" e dar boas gargalhadas, acredite.

0 comments, Reply to this entry

Amor didático

Posted : 9 months, 2 weeks ago on 12 February 2009 08:23 (A review of The Reader)

"O Leitor", mesmo tendo um forte contexto histórico (pós 2ª Guerra Mundial), se propõe a falar de sentimentos. Narra a história de um garoto, Michael Berg, que se apaixona por uma mulher, Hanna Schmitz, já com o dobro de sua idade e que mantém um caso com esta. Com o passar do tempo, ele lê livros para ela (por isso "O Leitor). Anos mais tarde, já há tempos sem vê-la, o garoto, já universitário em Direito, reencontra-a no banco do réu.

David Kross, como o garoto, e Kate Winslet, como a mulher, formam um casal com perfeita compatibilidade em cena. Este primeiro se revela como um competente ator que se completa com o talento já reconhecido de Kate Winlet. Winslet também merece mérito por sua sensível e emocionante atuação. Quando em cena, as câmeras se rendem à sua beleza ofuscante e deixam que ela reine. E como reina.

Os aspectos ténicnos são grandes atrativos. A trilha sonora que embala "O Leitor" é de extrema importância para compor cenas que tocam o coração dos mais chorões, como minha amiga que chorou ao meu lado na metade da sessão. A direção de arte se faz presente e ambienta com exelência até as cenas dos anos mais recentes, o que de fato surpreende.

Stephen Daldry que já dirigiu os inesquecíveis "As Horas" e "Billy Elliot" é o ingrediente principal desta trama. Isso porque ele sabe manipular os acontecimentos e, além do mais, o conjunto técnico, como já diz o nome, é técnica. E o que importa mesmo é se o filme comove, funciona. E mais uma vez, Daldry prova que sabe fazer isso muito bem. Pois "O Leitor" não perde seu clima, tendo em vista que o espectador tende a ficar mais atento à história até o desfecho final.

O que faz deste longa pior que "As Horas e "Billy Eliott" são os momentos finais. Depois da morte de Hanna Schmitz, o filme entrega cenas vagas que culminam num final insatisfatório. Contudo, isto não faz deste um filme ruin. Ao contrário, "O Leitor" é uma obra linda de ver e difícil de esquecer.

1 comments, Reply to this entry

A rainha (e a princesa)

Posted : 9 months, 2 weeks ago on 10 February 2009 05:34 (A review of The Queen)

Um filme correto. Nisso se pode resumir "A Rainha", filme de Stephen Frears, também diretor do cult "Alta Fidelidade". O longa mostra a semana depois da morte da princesa Diana. Mostra como foi o comportamento político e social diante do trágico acontecimento.

O filme é correto pois a técnica é eficaz. A fotografia do filme é correta, as atuações do filme são corretas, a trilha sonora do filme é correta, o figurino também é correto. Contudo, a impecável estética esconde uma história mal desenrolada, sem grandes cenas que não empolgam, não emocionam, não intrigam, nem prendem nossa atenção. Uma trama que, sem uma direção firme, acaba por cair no marasmo.

Helen Mirren, como Elizabeth II (a tal rainha do título), está ótima. Sua atuação, que lhe rendeu um Oscar de Melhor Atriz, convence e encanta. Sua elegância como Rainha Elizabeth II é indiscutível, dígna de Oscar. A atuação mais competente da fita. Mas também temos Michael Sheen, como o primeiro-ministro britânico Tony Blair, numa honrosa atuação. Em certas cenas, ele brilha e se destaca. E é a única atuação que exala sentimento.

De resto, "A Rainha" é um filme que tinha tudo para dar certo, mas caba não dando e ainda não diz nada. E não ligue se você dormir durante a sessão. É completamente compreensivo.

1 comments, Reply to this entry

O crime secreto das palavras

Posted : 9 months, 2 weeks ago on 9 February 2009 03:31 (A review of Atonement)

Já a tempos estava para ver este filme, mas o universo conpirava contra. Fiquei com tanta expectativa que quando aluguei tive medo. Medo de me descepcionar. Quase sempre tenho problemas com filmes que aguardo muito. Felizmente, isso não aconteceu desta vez com "Desejo e Reparação". O novo filme do diretor Joe Wright ("Orgulho e Preconceito") é surpreendente.

Um filme completo. Trilha sonora, fotografia, figurino, roteiro... Não há do que reclamar deste que é, de longe, o melhor filme de Wright. O longa narra a história de um casal que é separado devido a uma mentira: Briony, então aos 13 anos, usa sua imaginação de escritora principiante para acusar Robbie Turner, o filho do caseiro e amante da sua irmã mais velha Cecília, de um crime que ele não cometeu. A acusação na época destruiu o amor da irmã e alterou de forma dramática várias vidas.

Visualmente, o filme é lindo. A fotografia é uma carícia aos olhos, que nos encanta a cada cena. Na primeira parte da fita, tudo é bem colorido e bonito também. O figurino é outro aspecto importante de "Desejo e Reparação". As vestes usadas pelas mulheres são belíssimas. O vestido verde de Cecília é a peça mais bonita do filme.

A direção de arte é fundamental em "Atonement". A criação do ambiente de guerra e das cidades da época é incrível de tão verossímil. Trilha sonora também merece ser citada. A idéia de pôr nas músicas os sons das teclas de máquina de escrever é genial.

Mesmo com aspectos perfeitos, a maior parcela do mérito vai para Joe Wright que dirige como nunca este que é o melhor romance , no seu gênero, que vejo em muito tempo. Sua capacidade de saber controlar a trama e incrementar com a perfeita trilha sonora é mais que louvável, é estupenda. Com cara de Oscar sem exalar pretenções, "Desejo e Reparação" emociona demasiadamente quem vê.

Com um final arrebatador, "Atonement" é tido como um dos melhores filmes de 2008. Impossível não se emocionar e se envolver numa história tão tocante e intensa quanto essa. Depois do final, nem me levantei para tirar o DVD. Fiquei estático na sala tentando entender o que acabei de ver. Lembrei da pergunta que Briony faz no filme e arrisquei a eu mesmo responder: Qual a palavra mais terrível que você consegue imaginar? Amor.

4 comments, Reply to this entry

O apocalipse branco

Posted : 9 months, 3 weeks ago on 7 February 2009 12:26 (A review of Blindness)

Depois dos espetaculares "Cidade de Deus" e "O Jardineiro Fiel", Fernando Meirelles nos brinda com seu novo longa "Ensaio Sobre a Cegueira". Com ótimos atores, técnica impecável, trilha sonora envolvente, o longa se destaca em 2008 em meio a tantas outras produções de respeito.

A fita conta a história de uma epidemia de cegueira inédita e inexplicável que atinge uma cidade. Chamada de 'cegueira branca', já que as pessoas atingidas apenas passam a ver uma superfície leitosa, a epidemia de alastra cidade a fora se instalando nos olhos de todos, menos de uma mulher.

Mesmo revelando no título, o longa não fala da cegueira. Pelo menos não é apenas isso. "Ensaio Sobre a Cegueira" é uma história sobre a degradação da sociedade, os limites do ser humano, a falta de moralidade. Mostra o que acontece quando seres humanos reagem quando são retirados seus direitos, dogmas e proteção.

A doença misteriosa que atinge os seres humanos de uma população é mero pretexto para que uma análise do mundo em que vivemos seja feita. Ao mesmo tempo em que os indivíduos perdem sua visão, o lado escuro de suas respectivas almas vem à tona, revelando seus comportamentos mais rústicos e malígnos.

Cheio de cenas atordoantes, "Ensaio Sobre a Cegueira" chega a chocar com tantas atrocidades que o ser humano pode fazer em benefícil próprio. A cena em que as mulheres, enfileiradas, andam rumo ao estupro é avassaladora, tanto quanto a própria cena do estupro. A fotografia, que ora nítida, ora esbranquiçada de tão embassada nos leva para dentro da história. Como se nós também estivéssemos cegos. Aspecto ténico inquietante de tão perfeito.

No planos das atuações, só tem fera. Julianne Moore está como nunca vista antes, incrível. Gael García Bernal como vilão da trama também é bastante satisfatório. Seu personagem é de dar nojo e calafrios de tanta crueldade que faz com tanta naturalidade. Estas atuações são tão convincentes que chega a ofuscar as interpreteções de Mark Ruffalo e Alice Braga, ambos competentíssimos.

Ao término da sessão, o sorriso abre de orgulho de Fernando Meirelles. Não consegue superar "O Jardineiro Fiel", nem "Cidade de Deus". No entanto, supera com maestria qualquer expectativa em relação ao filme e deixa registrado uma obra que será lembrada por muitos anos.

0 comments, Reply to this entry


« Prev12 3 4 Next »