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Leonardo Knox

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Posted: 2 months, 3 weeks ago at Nov 5 12:22
Que tenso. Eu até gostei, ignorei algumas trashisse. AHUIAHUISHIUSHUISHAHAIUHSIUSHSA Tu sumiu (?)
Ou eu... ahahshasa
Posted: 2 months, 4 weeks ago at Nov 1 10:49
Olha, coincidencia haha último filme que marcou ali que viu foi chatroom e eu também haha. Mas pelo jeito eu gostei um pouco mais do filme. haha E alias, assisti meia noite em Paris <3 adorei, claro. |o|
Posted: 5 months, 1 week ago at Aug 18 20:41
E aí, beleza?
Então, como eu não conheço ninguém por aqui, tô dando uma olhada nas listas da galera e mandando convite pro pessoal que tem umas listas bacanas. Eu demorei um pouco pra perceber que quanto menos amigos, menos gente vê as nossas listas... Mas o mais difícil é responder a galera que escreve comentários em inglês... aí, da-lhe Google Tradutor... haha
Mas é isso aí. Abraço
Posted: 6 months, 1 week ago at Jul 23 22:00
(:
Posted: 7 months, 2 weeks ago at Jun 15 20:49
Passei na frente do Sayonara e lembrei de você ♥
Posted: 8 months ago at May 29 19:41
Obrigada pelo voto na lista! Boas resenhas as suas. =)
Posted: 9 months ago at May 2 7:48
Você escreve tão bem! Fico babando nas suas resenhas!
Posted: 10 months, 1 week ago at Mar 22 22:42
Gostei dos textos Á espera da morte... e O que é arte hoje? vou ler mais coisas. \o
Posted: 11 months, 2 weeks ago at Feb 18 9:31
Garoto chato que bebe e cai na rua!
Posted: 1 year, 3 months ago at Oct 24 8:51
Te amo, Léo amigo. Saudade monte.
Posted: 1 year, 3 months ago at Oct 2 18:09
Adoro tuas resenhas tb :)
Posted: 1 year, 4 months ago at Sep 21 20:21
Adoro tuas resenhas! Já pode trabalhar com jornalismo cultural tranquilamente :)

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Um rapaz latino-americano que também sabe se lamentar.

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Oito anos atrás

Posted : 7 months, 1 week ago on 22 June 2011 10:42 (A review of Adimirável Chip Novo)

[este texto é um exercício para a escola]

Há oito anos atrás eu tinha doze anos e estava na sexta série. Fazia um ano que eu tinha conhecido o Rock. Conheci primeiro os essenciais pra se iniciar; Ramones, Raul Seixas, Dead Kennedys, Nirvana, Bad Brains, entre outros. Foi aí que, das rádios, veio uma artista cujo disco, o primeiro, me disse coisas que na época eu queria ouvir, além de me apresentar outras ideias: Pitty e o seu Admirável Chip Novo.

O primeiro disco de Pitty, ao todo, tem um discurso de libertação, de se posicionar sobre os outros. Aos doze anos, aprendendo sobre o Rock e todo seu discurso de liberdade, dos punks e o seu "faça você mesmo", Chip Novo me caiu como uma luva. Já no primeiro sigle, Máscara, a cantora entoava "O Importante é ser você, mesmo que seja bizarro". Para um pré-adolescente, isso quer dizer muita coisa.

As letras do álbum permeiam por isso. Em Só de Passagem, fala-se de consumismo, de valores materiais se sobreporem aos imaterias: "Eu possuo muitas coisas. E nada disso me possui". Decorrente dessa identificação de discursos eu nunca mais consegui deixar de analisar as letras de todas as músicas escutaria dali pra frente.

Pitty é uma chuva de referências. Seus discos posteriores também confirmam isso. Em O Lobo, do Chip Novo, há uma alusão clara à Thomas Hobbes, um dos principais pensadores do Iluminismo, século XVIII: "O homem é o lobo do homem". Eu, que já gostava de História, agora pesquisava qualquer possível referência percebida no álbum. A música que dá título ao disco também é dotada de referências. O nome em si é uma uma alusão ao livro Admirável Mundo Novo, ficção científica de Adous Huxley. A mensagem da música emana um tom demasiadamente irônico, muito parecido com Deus lhe Pague, de Chico Buarque.

O som do disco também não me soava diferente. Em Máscara eu ouvia, mesmo que de longe, um New Metal que já escutara em outras bandas que gostava. Em O Lobo, a guitarra secundária me remeteria anos depois a Rage Against The Machine. Na música I Wanna Be, além do próprio título, eu não conseguia me esquecer dos Ramones. E, por mais que isso soe contraditório, tudo aquilo junto me soava diferente. Para mim, uma novidade.

É certo que o álbum de estreia de Pitty carrega consigo artifícios mercadológicos, radiofônicos. Refrões repetitivos, por exemplo. Mas isso não impediu a minha admiração e identificação com Admirável Chip Novo, que até hoje me agrada. E tudo isso começou há oito anos atrás.

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Um mosaico musical

Posted : 9 months, 4 weeks ago on 5 April 2011 05:44 (A review of Araçá Azul)

Caetano Veloso é um dos maiores artistas da música brasileira, além de ser um dos que mais a difundiu no exterior. Caetano também nunca negou a música estrangeira, por vezes manejada em seus trabalhos. A exemplo disso, tem-se Araçá Azul, disco de 1972. O álbum, um dos mais experimentais do artista, é em geral uma mistura de música brasileira, que remete ao Tropicalismo, com ampla influência estrangeira.

Araçá Azul é muito experimental pois ele usa e abusa de sons nada harmônicos e convencionais em músicas. Por todo o disco, Caetano usa sons da natureza. Em De Conversa/ Cravo e Canela, segunda faixa, quase não se ouve instrumento musical algum. Apenas efeitos sonoros feitos com a boca e palmas. Ritmo, melodia e, principalmente, escala não são tão respeitados no disco. Assim como nessa música, Araçá Azul é repleto de regionalismos e canções de origem africana.

Há belas canções, como Tu Me Acostumbraste. Esta, em espanhol, uma das pérolas de Araçá. A canção é uma versão em voz, violão e assobio de Olga Guillot. A versão melancólica de Caetano pouco se parece com a original, que é uma típica música clássica das divas do rádio no começo do século XX. Outra que assume um caráter de música clássica é Épico, faixa 09. Esta assemelha-se às canções de trilhas sonora de filmes clássicos hollywoodianos. Mas há uma ressalva: é uma música de Caetano Veloso. O baiano não abre mão dos batuques africanos e, há na música também, barulhos de trânsito de carros.

O disco explora tantos grunidos, zunidos e barulhos considerados irritantes que, numa música, não há nenhum instrumento musical: De Palavra em Palavra. Há apenas esses sons anárquicos e a voz desordenada de Caetano ao término da música, pedindo aos gritos, silêncio. Uma música-antítese. Como também acontece em Júlia/ Moreno, oitava faixa. Aqui, Caetano inicia num ar Bossa Nova, mas a desenvolve num Tropicalismo explícito.

Caetano Veloso aproveita as guitarras em De Cara/ Eu Quero essa Mulher, outro grande momento do disco, e faz a música mais rock and roll de Araçá Azul. Ainda calcada no Tropicalismo e no experimentalismo, a faixa assemelha-se muito aos rock dos anos 1970 e a Raul Seixas. Até no jeito de cantar, Caetano denota semelhança com o, também baiano, Raul.

Uma das músicas mais experimentais do disco é Sugar Cane Fields Forever. Nome este que remete à Strawberry Fields Forever, nome da música de 1967 dos Beatles. Gilberto Gil fez uma versão da música dos Beatles em Chuck Berry Fields Forever. Na versão de Caetano, como de praxe, uma uma criativa bagunça. Inicia-se uma música de Candomblé e ao decorrer há até um trecho de O Que é Que a Baiana Tem?, de Carmen Miranda.

Ao correr do disco, Caetano Veloso desfia um estudo de vários estilos musicais acompanhado com sons dificilmente pensados para a música. Um disco extremamente experimental, Araçá Azul pode não agradar na primeira audição, mas com o tempo revela-se um disco bastante criativo e original.

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À espera da morte

Posted : 11 months, 1 week ago on 24 February 2011 02:50 (A review of Biutiful)

Em seus filmes anteriores, Alejandro Conzález Iñárritu teceu histórias de vidas que se cruzam, sendo Babel e 21 Gramas exemplos disso. Em seu mais novo filme, Biutiful, Iñárritu faz diferente. Antes os personagens tinham que lidar com seus problemas, mesmo que entrelaçados. Agora em Biutiful não há mais tramas cruzadas. Todas as desgraças se caem sobre um só personagem: Uxbal.

Sem mais a companhia de Guillermo Arriaga como roteirista, que resultou nos belíssimos Babel e 21 Gramas, Iñárritu narra a história de Uxbal. Homem que sozinho cria seu casal de filhos aos percalços, que trabalha no mercado negro de negócios (pirataria, tráfico de imigrantes) e que acaba de descobrir que está prestes a morrer decorrente de um câncer na próstata. Na pele de Uxbal está Javier Bardem, numa atuação incrível. Bardem é o alicerce do filme. Ele que mantém o filme sob sua performance firme, intensa.

Biutiful carrega consigo um caráter cru e naturalista. A fotografia gélica nos mostra à penumbra como o mundo de Uxbal é cruel. As ruas por onde anda, o bairro onde mora. Certos momentos podem soar nauseantes e causar um certo desconforto no espectador, mas é nisso que Iñarritu se concentra. O que nos leva fazer sofrer com Uxbal. O roteiro com uma narrativa quase na sua totalidade linear, mesmo não sendo poderoso, nos faz conviver com Uxbal na sua angustiante rotina, a seguir sua dor e sofrer com a sua morte.

Uxbal é um herói de cabeça para baixo, ao avesso. Um homem fracassado, de olhar sofrido, cansado. Ele é o herói que ninguém quer ser. Durante todo o longa, há o reforço de que ele está a todo momento oprimido pela ideia de sua morte ou pelo sistema. Ou os dois. No âmbito político, o filme consegue com competência retratar os problemas vividos por imigrantes asiáticos na Espanha que trabalham em subempregos e na marginalidade.

Filme denso e pessimista, Biutiful termina em tom de alívio, mas não de missão cumprida. A saga de Uxbal não é contra a morte. E sim sobre como se preparar para quando ela chegar.

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A catástrofe pessoal

Posted : 11 months, 3 weeks ago on 6 February 2011 08:00 (A review of 127 Hours)

Depois de Quem Quer Ser Um Milionário?, Danny Boyle agora concorre ao Oscar com esse que é mais simples que o seu filme indiano, mas que ainda ilustra toda a competência que o cineasta tem quando põe a mão na câmera. 127 Horas conta o que passou Aron Ralston (James Franco), alpinista, que numa aventura nas montanhas de Utah, onde depois de sofre um acidente, fica preso durante 127 horas (cinco dias) com uma pedra em cima de seu braço. Baseado em fatos reais.

Assim como alguns filmes-catátrofes (Ensaio Sobre a Cegueira, por exemplo), o novo filme de Boyle põe em cheque a moral de seu personagem. Numa situação-limite, onde não há mais leis para te proteger, o ser humano passa por uma reflexão sobre si mesmo. E é nisso que 127 Horas mostra o seu melhor. Aron, preso naquela fenda há dias, sem o menor sinal de salvação, entre em conflito consigo. Arrepende-se profundamente por não ter ido ao casamento da irmã, por não ter atendido o telefonema da mãe e etc. Nessas lembranças, Aron inicia uma jornada não só de resistência física, mas também mental, filosófica.

As únicas companhias que Aron tem são seus objetos de aventura. Entre eles, uma câmera filmadora. Com ela, ele grava depoimentos diários sobre suas sensações, seus pensamentos, suas expectativas. Por mais que ele esteja preso numa fenda no meio de um deserto, sua mente está longe dalí. E por isso tudo que antes passava despercebido por ele, agora toma um valor incalculável diante da precariedade ali instalada.

A performance de James Franco como Aron Ralston não é apenas importante, mas também fundamental. Como único personagem desenvolvido pelo filme, James está a todo momento sob o olhar da câmera e não deixa a desejar quando consegue, com domínio, passar a sensação de estar preso num lugar como aquele. A fotografia também merece mérito. Todo movimento e toda posição dela exala a veracidade do fato e, principalmente, contamina o espectador com a sensação claustrofóbica de Aron. Edição e montagem, assim como em Quem Quer Ser Um Milionário?, é coisa de mestre.

Quem Quer Ser Um Milionário? e 127 Horas podem ser considerados, cada um no seu plano, filmes sobre sobrevivência. Mas diferente de Jamal, Aron em 127 Horas tenta sobreviver de sua catátrofe pessoal e de si mesmo. 127 Horas é, sob um olhar mais atento e subjetivo, uma metáfora sobre o homem em conflito com ele mesmo. Nem que para ganhar este conflito lhe custe um braço.

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O que é arte hoje?

Posted : 1 year ago on 27 January 2011 05:01 (A review of Exit Through the Gift Shop)

Banksy é um artista conhecido ao redor do planeta por seus trabalhos urbanos, como o grafitti, de cunho social e político. Indo além dos muros, o artista dirigiu o documentário Exit Through the Gift Shop, que mostra e explica essa arte urbana, considerada por muitos um movimento, chamada de street art.

O filme pretende narrar a história de um videomaker francês, Thierry Guetta, que também pretende fazer vídeos sobre a arte de rua. Guetta, no entanto, não satisfeito em documentar, decide fazer arte. Assim, torna-se ele também um artista urbano, assumindo o nome de Mr. Brainwash.

A grande carta que Banksy tem em mãos é a discussão sobre o que é arte hoje, para que ela serve e qual a fronteira que separa o artista do baderneiro, o grafiteiro do pixador. Exit Through the Gift Shop não elucida com veemência essa questão, porém. Não há uma atenção cuidadosa com o posto de arte que o grafitti e todos esses meios de expressão urbanos estão tendo hoje. Não se dicute isso verbalmente.

Digo verbalmente porque, mesmo que o assunto não seja tratado com aprofundamento, esse assunto está ali, na tela. O que há de contra-balancear. O que antes estava nas ruas e produzido por pessoas marginalizadas, hoje vem ganhando status, preenchendo galerias no mundo todo e feito por, agora, artistas respeitados e cobiçados.

Agora respondendo por Mr. Brainwash, Thierry Guetta promove sua primeira exposição, em Los Angeles, EUA. Nesse caminho, o artista emergente decide começar do topo. Mas ao longo do filme, nota-se que ele não sabe muito bem o que faz. Por isso, contrata designers e outros conhecedores das técnicas para ajudá-lo a montar sua exposição.

Boatos contam que essa história seja mais uma brincadeira de Banksy, que tudo não passa de uma história inventada. É mais uma peça de arte do artista, que agora critica com bom humor as artes. Mas nem importa tanto. Exit Through the Gift Shop se mostra eficente a que veio. Expõe esse rico universo da arte urbana e abre mais um debate sobre o que é e qual a importância da arte na sociedade contemporânea.

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Sobre como não fazer jornalismo

Posted : 1 year, 3 months ago on 1 October 2010 07:41 (A review of Shattered Glass)

[este resenha foi um trabalho para a faculdade. por isso abordei principalmente o clima jornalístico do filme, deixando de comentá-lo como obra do cinema]

A profissão do jornalista é muito cobrada por todos, inclusive pela própria mídia. Os fatos têm de ser tratados com total veracidade e a maior imparcialidade possível. Nisso, ou melhor, no inverso disso, baseia-se o filme O Preço de uma Verdade. Dirigido por Billy Ray, o filme conta a derradeira carreira de Stephen Glass numa das revistas mais influentes do Estados Unidos: The New Republic. Baseado em fatos reais.

Stephen Glass (Hayden Christensen), 24 anos, jornalista da The New Republic, escreve há meses artigos falaciosos de fatos que nunca existiram. Tudo sem deixar a mínima suspeita, por tratar seus colegas de trabalho com extremo afeto, tratamento este recíproco por todos. Seus artigos são inventados a partir de fontes inexistentes, anotações forjadas e fatos nunca privados. No entanto, ao longo do filme, Stephen se mostra ávido a provar e contornar todos seus artigos, sem nenhum cansaço.

Até que um outro jornalista, Adam Penenberg (Steve Zahn), de outra revista, Forbes, suspeita de um artigos de Glass e decide verificá-lo. Assim, fica claro o clima de rivalidade, mesmo que amena, que permeia as revistas, neste caso, no campo jornalístico, se policiando e esperando o próximo vacilo do concorrente. O longa toma essa rivalidade como ponto de partida para o desenrolar da história. Stephen e seu recém contratado a editor Chuck Lane (Peter Sarsgaard) partem para defenderem-se da concorrência.

A narrativa linear de O Preço de uma Verdade é alternada às cenas, divididas em diversas partes, de Stephen dando uma palestra em sua antiga escola, onde cursou o ensino médio. O centro da história é Glass, visto que a narrativa tende a mostrá-lo, inicialmente, livre de suspeita, enganando até a quem assiste. A fim de mostrar os bastidores de uma redação e do meio produtivo do jornalismo, fica notável o quanto importante é a busca, o bom uso e a confirmação de fontes verdadeiras para a qualidade de um bom jornalismo.

A âmbito das atuações, nenhuma decepciona, embora também nenhuma se destaca tanto. Salvo apenas a atuação de Peter Sarsgaard, o editor Chuck, que vai do compreensivo ao ostensivo em questão de cenas, sabendo dosar as emoções com competência e convencimento. Mesmo que o filme esteja voltado apenas para Stephen, em planos fechados sobre o seu semblante, ora rígido de segurança, ora acuado sob as acusações.

Mostrando como funciona basicamente o jornalismo em seu modo de fazer, O Preço de uma Verdade dá um exemplo de como não fazer jornalismo. Do uso e manipulação de fontes às relações diplomáticas entre os jornalistas. Durante o filme todo, talvez as únicas verdades contadas por Stephen Glass estejam no que ele diz em sua palestra. Isso só quem viu o filme pode entender.

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O cinema por si só

Posted : 1 year, 5 months ago on 18 August 2010 12:42 (A review of Day for Night)

Apaixonados pelo que fazem, vários diretores de cinema expõem seu amor pela sétima arte em seus próprios filmes. E nada mais apaixonante e eficiente do que falar do cinema usando sua própria linguagem. A exemplo disso, temos a excelente comédia romântica “A Rosa Púrpura do Cairo”, do ácido Woddy Allen, o sensível “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore e o incrível “A Noite Americana”, do diretor francês François Truffaut.

Truffaut, já consagrado por seus filmes lançados nas décadas de 1950 e 1960 (“Os Incompreendidos” e “Jules e Jim”, por exemplo), se sobressai ainda mais com essa pequena pérola que lhe rendeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1973. O filme narra a produção de um filme e suas complicações. Dentre elas, romances, traições e até morte. O que resulta em cenas hilárias que facilmente ocorreriam de fato.

No filme, Truffaut não se esconde atrás da ficção e se mostra como um convicto narcisista. E ele pode. Afinal, sabe como amarrar uma história e como fazer rir nas cenas mais esdrúxulas, não deixando as atuações caricatas e as cenas patéticas. Não esconde o amor pelo cinema e, ainda mais, exalta sua profissão através do filme. Aliás, o tal filme dentro do filme, “Je Vous Présente Pamela”, é também dirigido por ele, por meio de interpretação. Um amante do cinema em dobro.

O longa-metragem também retrata a difícil tarefa de dirigir um filme. Pois, como o cinema é uma arte essencialmente coletiva, o diretor tem de contar com a cooperação de pessoas frequentemente instáveis e excêntricas, que podem ter interesses totalmente díspares e vícios reprováveis, especialmente a vaidade e a ambição exacerbada. É possível que um dos atores morra durante as filmagens ou que uma atriz entre em crise histérica numa cena. Não importa o que acontecer, o diretor está lá para mediar a situação e finalizar sua obra, sua paixão. E isso está no filme muito bem ilustrado.

Talvez taxem o filme de didático, mas é inegável que há de maneira explícita durante toda a obra o amor do criador com sua criatura. Com toda essa tentativa de humanizar o cinema, de aproximá-lo da vida, sem deixar de exaltá-lo, François Truffaut deixa para a história uma obra que é uma ode ao cinema e, afinal, é o que o diretor faz com inegável propriedade. Inesquecível, “A Noite Americana” é daqueles filmes que fazem mesmo os mais excêntricos cinéfilos saírem da sessão ainda mais apaixonados pelo cinema do que ao entrar.

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Família e reabilitação

Posted : 2 years, 9 months ago on 13 April 2009 04:53 (A review of Rachel Getting Married)

Existem filmes que já nos primeiros momentos, mostram que não são só puro entretenimento. "O Casamento de Rachel" cabe muito bem nisto. Ao contrário de 'Watchmen', o filme é pura surpresa. Nada que acontece nele dá para prever. O longa retrata a visita de Kym (Anne Hathaway), vinda da reabilitação, à sua casa para o casamento de sua irmã Rachel (Rosemarie DeWitt). E em meio aos preparativos do casamento, os conflitos daquela família emergem.

Particulamente, gosto demasiadamente de filmes sobre relacionamento humano. Talvez seja por isso que "O Declínio do Império Americano" e seu seguinte "As Invasões Bárbaras" sejam filmes inesquecíveis. Nós, humanos, somos seres extremamente peculiares por mais que alguns ainda não tenham notado. E no meio de tantos filmes sobre relacionamentos, "O Casamento de Rachel" se destaca pela sua forma de narrativa nua.

As atuações são de completa importância para o filme, pois conseguem passar a veracidade necessária a fim de emocionar e, por vez, chocar o espectador. O que funcionou muito bem comigo. Com uma justa indicação ao Oscar de Melhor Atriz, Anne Hathaway faz a melhor atuação que já vi em sua carreira. Em seus momentos dramáticos, conduz muito bem as cenas e prova que mereceu a indicação. Outra maravilhora interpretação é a de Rosemarie DeWitt, que faz com competência e delicadeza a irmã de Kym, a noiva Rachel. Além de ser muitíssimo linda.

O roteiro é, lógico, a base para o desenrolar da história. Mas neste filme, ele é o palco para todas a peripécias, brincadeiras, piadas, encontros e conflitos que aparecem na fita. A direção soube muito bem mexer com os sentimentos dos personagens que, às vezes, acabam refletindo em quem está do outro lado da tela. A fotografia, ora inquieta, promove pequenos e lindos planos-sequência, e é o aspecto técnico que mais me atraiu.

Depois de ter adorado o resultado final e, incrivelmente, ter me emocionado, a única coisa que me resta escrever é: se você quer ver "O Casamento de Rachel" para puro e simples divertimento, não veja.

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A escolha certa

Posted : 2 years, 10 months ago on 9 March 2009 08:05 (A review of Slumdog Millionaire)

Mesmo com todo esse furor em volta de 'Quem Quer Ser Um Milionário?', eu não estava botando muita fé nele. Talvez seja pelo pôster do longa que, convenhamos, não é tão atraente. Na verdade, estava mais a fim de ver 'Watchmen'. E tive uma grata surpresa. 'Quem Quer Ser Um Milionário?' é um filme inesquecível, apaixonante.

Com tudo muito bem calculado, o filme de Danny Boyle se dispõe a contar a trajetória de vida de Jamal, um garoto pobre e sem acesso a maiores informações que acaba participando de um programa televisivo de perguntas e respostas e está prestes a ganhar 20 milhões de rúpias. Como um garoto favelado consegue tal feito? O filme se resume em explicar como ele conseguiu tal façanha.

Durante os primeiros minutos, várias cenas me lembraram muito 'Cidade de Deus', de Fernando Meirelles. O modo em que a fotografia esperta capta os passos corridos dos moradores da favela e suas tarefas corriqueiras é surpreendentemente parecido com o nosso clássico brasileiro. No entanto, ao decorrer da obra percebe-se o quanto original e perspicaz o filme consegue mostrar que é.

'Quem Quer Ser Um Milionário?' é um dos filmes mais originais desta nova safra de longas-metragem que extreiam nos cinemas. Isso por causa do roteiro inteligente e dinâmico que, não por acaso, é o que mais impressiona e prende quem assiste. Outro aspecto que contribui para compôr a qualidade indiscutível de 'Quem Quer Ser Um Milionário?' é a montagem. Montagem esta que costura com eficiência a narrativa quebrada do longa. Isso faz do óbvil uma coisa nova.

Mesmo você sabendo como vai terminar a história, você fica apreenssivo com toda a situação ocorrente, que aumenta ainda mais com a trilha sonora tensa. Sobre a trilha sonora, não há do que reclamar. Músicas animadas e densas no melhor estilo indiano, tem M.I.A. com sua ótima canção "Paper Planes" muito bem usada no longa. Sem falar da cena de dança ao som de "Jai Ho" nos créditos finais.

Com um pouco de ação, comédia e muito romance, 'Quem Quer Ser Um Milionário?' não desagrada nem um pouco. Ao contrário, ao término do filme a sensação de felicidade e de pura satisfação abraça o espectador que, sem dúvida alguma, não vai esquecer por muito tempo do que sentiu quando viu 'Quem Quer Ser Um Milionário?'.

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Nunca pare de gravar

Posted : 2 years, 10 months ago on 8 March 2009 06:02 (A review of [REC])

Desde seu lançamento esperava ansioso para ver '[REC]'. Filme espanhol de terror que aterrorizou várias salas de cinema no mundo inteiro, dirigido por Jaume Balagueró e Paco Plaza. '[REC]' é um ótimo filme de terror, no mesmo estilo do clássico 'A Bruxa de Blair', ou seja, uma situação superverossímil gravada de forma "amadora".

A trama desenrola-sa a partir de uma matéria para um programa de TV. Ángela Vidal, repórter, e Pablo, operador de câmera, vão passar a noite em um Corpo de Bombeiros a fim de gravar a rotina de trabalhos deles. Porém o que aparentemente seria uma saída noturna rotineira de resgate logo se transforma em um grande pesadelo. Presos em um edifício, a equipe de filmagens e os bombeiros enfrentam uma situação desconhecida e letal.

O longa já no começo surpreende pela sua verossimilhança quando os dois filmam e conversam com as pessoas que trabalham no Corpo de Bombeiros e parece realmente que tudo ali mostrado é de verdade. Balagueró e Plaza tiveram grandes sacadas para mostrar o mais real possível em sua cenas. Manuela Velazco que encena Ángela dá uma aula de interpretação já que em nenhum momento a atriz mostra uma personagem caricata e exagerada, o que de fato é corriqueiro em filmes de terror.

Melhor que em 'A Bruxa de Blair', a fotografia que fica por conta do intérprete de Pablo (Pablo Rosso) é bem esclarecedora. Nada foge da lente da câmera de Pablo e ainda consegue passar todo o medo para os espectadores. E medo é o que eu realmente espero sentir quanto assisto a um filme de terror. O que significa missão cumprida.

Como um fã de filmes de terror e assíduo consumidor do gênero, posso afirmar que '[REC]' é o melhor filme no estilo 'câmera na mão' e um dos melhores filmes de horror de 2008. Se você não gostou de '[REC]', você não gosta de filmes de terror, não gosta de sentir medo e não teve sensibilidade para ver que no seu segmento, '[REC]' é único.

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