December)
Selton Mello é um dos melhores atores do cinema brasileiro. Sempre em boas performances nos filmes em que atuou, como o árido "Auto da Compadecida", o lindo "Lisbella e o Prisioneiro" e o impagável "O Cheiro do Ralo". Agora, depois de tantos trabalhos memoráveis como ator, Selton decide enveredar-se por trás das câmeras. E entrega seu primeiro filme, como diretor, "Feliz Natal" como um filme de um natal nada feliz.
Logo de cara, as primeiras cenas mostram a profundidade emocional com que o filme decide contar a história. Também de cara, nota-se a eficaz fotografia e a soturna trilha sonora. "Feliz Natal" mostra o natal de Caio (Leonardo Medeiros) que, há tempos longe de casa, vai passar a data com a família. Lá a história fica intensa. Suas memórias acordam e seus parentes expurgam todo o ódio que lhe tem.
O debut do diretor Selton Mello aborda com clareza o consumismo desenfreado e estúpido que permeia nossa sociedade e a molda, incluindo uns e excluindo vários. Este é o maior trunfo de "Feliz Natal", que ainda arruma tempo para mostrar como esse consumisco recai sobre as famílias. E não há data melhor que esta para falar disto: o Natal.
Dando rosto aos personagens, as atuações são de um modo geral satisfatórias. Em destaque, Darlene Glória como Mércia, mãe de Caio, está inacreditável. Sua performance chega a assustar a quem assiste de tão real e intensa que é sua atuação. Graziela Moretto, sempre linda e competente, está em seu lugar como Fabi, cunhada de Caio.
Com uma linguagem de imagem & som, a fita, em seus últimos momentos, acaba por enrolar e entregar um final sem muito ânimo. Contudo, o que faz de "Feliz Natal" um obra admirável e capaz de escapar de uma nota 7 é seu roteiro criativo e sua direção firme. Contraditoriamente, "Feliz Natal" é um longa que eu nunca indicaria para se ver no Natal. É melhor alugar "Esqueceram de Mim" e dar boas gargalhadas, acredite.

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Posted : 9 months, 1 week ago on 12 February 2009 08:23
(A review of
The Reader)
"O Leitor", mesmo tendo um forte contexto histórico (pós 2ª Guerra Mundial), se propõe a falar de sentimentos. Narra a história de um garoto, Michael Berg, que se apaixona por uma mulher, Hanna Schmitz, já com o dobro de sua idade e que mantém um caso com esta. Com o passar do tempo, ele lê livros para ela (por isso "O Leitor). Anos mais tarde, já há tempos sem vê-la, o garoto, já universitário em Direito, reencontra-a no banco do réu.
David Kross, como o garoto, e Kate Winslet, como a mulher, formam um casal com perfeita compatibilidade em cena. Este primeiro se revela como um competente ator que se completa com o talento já reconhecido de Kate Winlet. Winslet também merece mérito por sua sensível e emocionante atuação. Quando em cena, as câmeras se rendem à sua beleza ofuscante e deixam que ela reine. E como reina.
Os aspectos ténicnos são grandes atrativos. A trilha sonora que embala "O Leitor" é de extrema importância para compor cenas que tocam o coração dos mais chorões, como minha amiga que chorou ao meu lado na metade da sessão. A direção de arte se faz presente e ambienta com exelência até as cenas dos anos mais recentes, o que de fato surpreende.
Stephen Daldry que já dirigiu os inesquecíveis "As Horas" e "Billy Elliot" é o ingrediente principal desta trama. Isso porque ele sabe manipular os acontecimentos e, além do mais, o conjunto técnico, como já diz o nome, é técnica. E o que importa mesmo é se o filme comove, funciona. E mais uma vez, Daldry prova que sabe fazer isso muito bem. Pois "O Leitor" não perde seu clima, tendo em vista que o espectador tende a ficar mais atento à história até o desfecho final.
O que faz deste longa pior que "As Horas e "Billy Eliott" são os momentos finais. Depois da morte de Hanna Schmitz, o filme entrega cenas vagas que culminam num final insatisfatório. Contudo, isto não faz deste um filme ruin. Ao contrário, "O Leitor" é uma obra linda de ver e difícil de esquecer.

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Posted : 9 months, 1 week ago on 10 February 2009 05:34
(A review of
The Queen)
Um filme correto. Nisso se pode resumir "A Rainha", filme de Stephen Frears, também diretor do cult "Alta Fidelidade". O longa mostra a semana depois da morte da princesa Diana. Mostra como foi o comportamento político e social diante do trágico acontecimento.
O filme é correto pois a técnica é eficaz. A fotografia do filme é correta, as atuações do filme são corretas, a trilha sonora do filme é correta, o figurino também é correto. Contudo, a impecável estética esconde uma história mal desenrolada, sem grandes cenas que não empolgam, não emocionam, não intrigam, nem prendem nossa atenção. Uma trama que, sem uma direção firme, acaba por cair no marasmo.
Helen Mirren, como Elizabeth II (a tal rainha do título), está ótima. Sua atuação, que lhe rendeu um Oscar de Melhor Atriz, convence e encanta. Sua elegância como Rainha Elizabeth II é indiscutível, dígna de Oscar. A atuação mais competente da fita. Mas também temos Michael Sheen, como o primeiro-ministro britânico Tony Blair, numa honrosa atuação. Em certas cenas, ele brilha e se destaca. E é a única atuação que exala sentimento.
De resto, "A Rainha" é um filme que tinha tudo para dar certo, mas caba não dando e ainda não diz nada. E não ligue se você dormir durante a sessão. É completamente compreensivo.

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Posted : 9 months, 2 weeks ago on 9 February 2009 03:31
(A review of
Atonement)
Já a tempos estava para ver este filme, mas o universo conpirava contra. Fiquei com tanta expectativa que quando aluguei tive medo. Medo de me descepcionar. Quase sempre tenho problemas com filmes que aguardo muito. Felizmente, isso não aconteceu desta vez com "Desejo e Reparação". O novo filme do diretor Joe Wright ("Orgulho e Preconceito") é surpreendente.
Um filme completo. Trilha sonora, fotografia, figurino, roteiro... Não há do que reclamar deste que é, de longe, o melhor filme de Wright. O longa narra a história de um casal que é separado devido a uma mentira: Briony, então aos 13 anos, usa sua imaginação de escritora principiante para acusar Robbie Turner, o filho do caseiro e amante da sua irmã mais velha Cecília, de um crime que ele não cometeu. A acusação na época destruiu o amor da irmã e alterou de forma dramática várias vidas.
Visualmente, o filme é lindo. A fotografia é uma carícia aos olhos, que nos encanta a cada cena. Na primeira parte da fita, tudo é bem colorido e bonito também. O figurino é outro aspecto importante de "Desejo e Reparação". As vestes usadas pelas mulheres são belíssimas. O vestido verde de Cecília é a peça mais bonita do filme.
A direção de arte é fundamental em "Atonement". A criação do ambiente de guerra e das cidades da época é incrível de tão verossímil. Trilha sonora também merece ser citada. A idéia de pôr nas músicas os sons das teclas de máquina de escrever é genial.
Mesmo com aspectos perfeitos, a maior parcela do mérito vai para Joe Wright que dirige como nunca este que é o melhor romance , no seu gênero, que vejo em muito tempo. Sua capacidade de saber controlar a trama e incrementar com a perfeita trilha sonora é mais que louvável, é estupenda. Com cara de Oscar sem exalar pretenções, "Desejo e Reparação" emociona demasiadamente quem vê.
Com um final arrebatador, "Atonement" é tido como um dos melhores filmes de 2008. Impossível não se emocionar e se envolver numa história tão tocante e intensa quanto essa. Depois do final, nem me levantei para tirar o DVD. Fiquei estático na sala tentando entender o que acabei de ver. Lembrei da pergunta que Briony faz no filme e arrisquei a eu mesmo responder: Qual a palavra mais terrível que você consegue imaginar? Amor.

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Posted : 9 months, 2 weeks ago on 7 February 2009 12:26
(A review of
Blindness)
Depois dos espetaculares "Cidade de Deus" e "O Jardineiro Fiel", Fernando Meirelles nos brinda com seu novo longa "Ensaio Sobre a Cegueira". Com ótimos atores, técnica impecável, trilha sonora envolvente, o longa se destaca em 2008 em meio a tantas outras produções de respeito.
A fita conta a história de uma epidemia de cegueira inédita e inexplicável que atinge uma cidade. Chamada de 'cegueira branca', já que as pessoas atingidas apenas passam a ver uma superfície leitosa, a epidemia de alastra cidade a fora se instalando nos olhos de todos, menos de uma mulher.
Mesmo revelando no título, o longa não fala da cegueira. Pelo menos não é apenas isso. "Ensaio Sobre a Cegueira" é uma história sobre a degradação da sociedade, os limites do ser humano, a falta de moralidade. Mostra o que acontece quando seres humanos reagem quando são retirados seus direitos, dogmas e proteção.
A doença misteriosa que atinge os seres humanos de uma população é mero pretexto para que uma análise do mundo em que vivemos seja feita. Ao mesmo tempo em que os indivíduos perdem sua visão, o lado escuro de suas respectivas almas vem à tona, revelando seus comportamentos mais rústicos e malígnos.
Cheio de cenas atordoantes, "Ensaio Sobre a Cegueira" chega a chocar com tantas atrocidades que o ser humano pode fazer em benefícil próprio. A cena em que as mulheres, enfileiradas, andam rumo ao estupro é avassaladora, tanto quanto a própria cena do estupro. A fotografia, que ora nítida, ora esbranquiçada de tão embassada nos leva para dentro da história. Como se nós também estivéssemos cegos. Aspecto ténico inquietante de tão perfeito.
No planos das atuações, só tem fera. Julianne Moore está como nunca vista antes, incrível. Gael García Bernal como vilão da trama também é bastante satisfatório. Seu personagem é de dar nojo e calafrios de tanta crueldade que faz com tanta naturalidade. Estas atuações são tão convincentes que chega a ofuscar as interpreteções de Mark Ruffalo e Alice Braga, ambos competentíssimos.
Ao término da sessão, o sorriso abre de orgulho de Fernando Meirelles. Não consegue superar "O Jardineiro Fiel", nem "Cidade de Deus". No entanto, supera com maestria qualquer expectativa em relação ao filme e deixa registrado uma obra que será lembrada por muitos anos.

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Mas pra falar a verdade eles até que se parecem!
Nossa, vc faz umas reviews ótimas!
Bjos ;*
é uma coisa que eu tocaria xD
Você viu À Prova De Morte? É muuuuuito bom também.